O italiano é uma língua romântica que pertence a familia das indo-européias e é falada por cerca de 70 milhões de pessoas, a maioria das quais vivem na Itália. O italiano padrão baseia-se nos dialetos da Toscana e é de certo modo intermediária entre as línguas da Itália do sul e as línguas Galo-românicas do norte. O padrão toscano, muito antigo, tem sido ligeiramente influenciado nas últimas décadas pela variante de italiano falado em Milão, a capital econômica de Itália. O italiano tem consoantes duplas (ou longas) tal como o latim, mas ao contrário da maior parte das línguas românicas modernas, como por exemplo o francês, o espanhol ou o português. Tal como na maioria das línguas românicas (com exceção do francês), a acentuação é distintiva.

O italiano é língua oficial na Itália e em San Marino, e uma das línguas oficiais da Suíça. Também é a segunda língua oficial do Vaticano e em algumas áreas da Ístria, na Eslovênia e Croácia, como uma minoria italiana. Também é constantemente falado na Córsega e em Nice, antigas possessões italianas, além da Albânia.
É falado em certas partes da África, que incluem a Etiópia, Líbia, Tunísia e Eritreia. É constantemente usado por comunidades italianas vivendo em Luxemburgo, na Alemanha, Bélgica, nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália, na Venezuela, no Brasil, Uruguai, na Argentina e Austrália.
A presença de italianos é marcante em toda a América Latina. Neste caso, a presença da língua italiana, na maior parte dialetos nortenhos, é abundante no Brasil, Argentina e Uruguai. Nesses países, o espanhol e o português foram influenciados pelo italiano, particulamente em algumas regiões: (Rio Grande do Sul, São Paulo, Córdoba, Chipilo etc)

Legenda:
Azul Escuro: Língua materna
Azul: Língua administrativa
Azul Claro: Segunda língua
Quadrado verde: Minoria fala italiano
A história da língua italiana é muito complicada, mas o italiano moderno é o resultado de alguns eventos relativamente recentes. Os textos mais antigos que se conservam em italiano (os anteriores se consideram latim vulgar) são fórmulas legais e poesias da Região de Benevento que datam dos anos 960-963 da era cristiana. Por muito tempo não existiu um padrão escrito ou falado para a língua italiana e quem escrevia o fazia em seus próprios dialetos regionais.
O italiano deriva da forma falada do latim vulgar. Mas o surgimento de outras línguas derivadas também do latim vulgar simplificou muito a língua italiana. Muitas das formas que o latim expresava mediante os casos se perdem e se comunicam por meio de outras palavras ou pela ordem da frase, que em latim havia sido muito flexível porque as relações entre as palavras se expresavam mediante os finais das mesmas.
Estas mudanças fizeram com que os habitantes da península italiana apenas pudessem entender o latim, que ainda era utilizado nos serviços religiosos e nos documentos legais. Alguns escritores italianos de Florença, numa tentativa de dar prestígio e enobrecer a língua, inventaram um italiano novo baseado no dialéto vernacular da Toscana (de 1100 e primeiros anos de 1200) e enrriquecido por neologismos e emprestimos do latim. Esta nova língua se convirteu no veículo de expressão de Dante, Ariosto, Boccaccio, Tasso e outros autores do Renascimento Italiano.
O italiano se formalizou no século XIV com as obras de Dante Alighieri que misturou os dialétos do sul da Italia, principalmente o Siciliano, com seu dialeto da Toscana, para escrever poemas épicos conhecidos como Comédia, chamados mais tarde por Boccaccio de Divina Comédia. As obras de Dante foram lidas por toda Itália e o dialeto utilizado passou a ser um padrão reconhecido por todos. Ainda hoje se atribuia a Dante a normalização da língua italiana.
Mesmo com o dialeto da Toscana sendo amplamente utilizado e reconhecido em círculos políticos e culturais por toda a Itália, o latim permanecia como a língua proeminente na literatura, o que perdurou até o século 16, quando os escritos começaram a misturar as duas línguas. Daí em diante o latim começou a ser deixado de lado e a língua italiana tomou de vez o seu lugar. Atualmente, o dialeto da Toscana é conhecido como Italiano e é a língua oficial da Itália, sendo a língua principal da literatura e mídia. Cada região da Itália tem seu próprio dialeto, alguns tão distintos da língua oficial que chegam a não ser compreendidos. O dialeto da Sicília, por exemplo, às vezes é tido como uma língua à parte. A Sicília conta com uma tradição em literatura mais antiga que a própria Itália.
A primeira gramática italiana foi produzida por Leon Battista Alberti (1404-72) e publicada 1495 sob o título em latim Regule lingue florentine (Regras da Llíngua de Florença).
O italiano é uma língua que tem vários dialetos e como a maioria das línguas românicas, guarda grande similaridade com o latim. O italiano moderno é parecido com o latim e o dialeto florentino, mas o léxico se adaptou as condições da vida atual. Existem poucas mudanças fonéticas que se produziram na evolução da língua desde o latim e a ortografía que é praticamente igual a fonética, fazem do italiano uma língua fácil de aprender para as pessoas que saibam latim ou qualquer língua romântica..
Os dialetos italianos reconhecidos pelos etnólogos são o toscano, piamontês, sardo, abruzzese, pugliese (apulian), umbro, aziale, marchigiano central, cicolano-reatino-aquilano e molisan. Mas na verdade na Itália existe quase um dialeto por cidade como exemplos temos o milanês, brescian, bergamasco, veneciano, modenés, boloñés, siciliano, entre outros.
Todos os dialetos italianos dividem-se em dois grupos, tirando o sardo que é considerado como outra língua. Estes dois grupos se separam por uma linha denominada Spezi-Rimini, nome dado por duas cidades que serviriam de divisa. A Spezi-Rimini desenha uma linha de oeste a leste em toda a península, seguindo a fronteira da Toscana e Emilia-Romagna. Divide os dialetos do norte e os do centro-sul da península.
Os dialetos do norte ou setentrionais se dividem em dois grandes grupos sendo o maior chamado de grupo itálo-galo, nas regiões de Ligúria, Piamonte, Lombardia, e Emilia-Romagna, além de outras zonas de Trentino-Alto Adige. O segundo grupo é o do dialeto vêneto, que se sitúa na região de Veneto.
Já os dialetos centro-meridionais se dividem em quatro grupos de dialetos diferentes. O grupo dos tuscanos que ocupa a área da região da Toscana. Ao sul temos os dialrtos latim-umbrian-marchegianos, que ocupam o norte da região do latim incluindo Roma, a maioria da zona de Umbria e parte da região de Marches. Estes dois últimos são, em muitas ocasiões, agrupados como dialetos centrais. Os dialetos meridionais se subdividem em dois grupos importantes, os dialetos intermediários meridionais, que ocupam a parte inferior da península, incluindo regiões como azio, Avruzzi, Molise, Campania, Basilicata e partes de Apulia e por fim os dialetos do extremo meridional, com alguns dialetos da Calábria e Apulia e o importante dialeto da Sicília.
Entre 1875 e 1935, aproximadamente 1,5 milhão de italianos imigraram para o Brasil. Atualmente, 25 milhões de brasileiros são descendentes de italianos, contabilizando a maior população de origem italiana fora da Itália. Devido à proximidade entre a língua portuguesa e a italiana, a maioria dos filhos de italianos nascidos no Brasil não aprendiam a falar o idioma dos pais. Além disso, seu uso (juntamente com o alemão), foi proibido no Brasil durante a II Guerra Mundial. Por essas razões, o uso do italiano ficou restrito no Brasil.
A maior parte dos falantes de italiano no Brasil se concentra nas zonas vinícolas do Rio Grande do Sul. Por viverem de certa forma isolados na zona rural, esses italianos e descendentes foram o único grupo que conseguiu manter o idioma vivo no Brasil, falado atualmente por aproximadamente 500 mil brasileiros. Esse dialeto foi denominado talian e é bastante próximo à língua vêneta, falada na região do Vêneto, de onde a maior parte dos imigrantes vieram.
Atualmente verifica-se um renovado interesse em se manter esse idioma minoritário do Brasil meridional através de sua insersão em currículos escolares, da mesma forma que se está fazendo com o idioma alemão nas zonas de colonização alemã e com o espanhol nas zonas fronteiriças à Argentina e ao Uruguai. O italiano está atualmente restrito à ambientes rurais do Brasil meridional, porém há falantes em cidades grandes, tal como em Porto Alegre, São Paulo, Curitiba e Caxias do Sul.
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